Conheci Rui Manuel Galhardo no Andulo em 1996 mas foi em 1997

Conheci Rui Manuel Galhardo no Andulo em 1996 mas foi em 1997

11. Maio 2022 0 Por Araújo
Conheci Rui Manuel Galhardo no Andulo em 1996 mas foi em 1997 que tornei-me mais próximo a ele, depois de ter trago algumas encomendas para nós vindas de Portugal e sem esquecer os quatro pares de equipamento para as equipes de futebol da UREAL, Estrela Negra, Estrela Vermelha e Panteras Negra, na altura, Rui vivia na casa de passagem do Partido ao lado do cordão Presidencial, onde ficava também a nossa casa.
Tínhamos uma vivência salutar e as quartas, quintas e sextas feiras, Rui, na companhia de mais outros hóspedes desta casa de passagem gostavam assistir os nossos jogos de basquetebol no campo que ficava de fronte ao prédio arco íris onde, na companhia dos Major Ndandula Pole de feliz memória, Jonas Takas, Smith Black Power, Dr. Tinico Da Costa e outros, éramos muito aplaudidos por um leque de estudantes, comerciantes e militares (este últimos afectos a guarda presidencial) que compunham a claque.
Durante o calor da guerra lançada oficialmente à 4 de Dezembro de 1998 pelo então Presidente da República durante o IV Congresso Ordinária do MPLA, ainda algumas vezes protegíamo-nos juntos dos ataques aéreo perpetrados pelos caças da Força Aérea Angolana que maior parte das vezes eram tripulados pelos famosos pilotos Borges e Chipalavela que, acompanhávamos maior parte de suas comunicações por via de intercepção militar na altura comandadas pelo General Sussula Comandante da DAA (Defesa Anti Aérea), mais tarde, Rui é evacuado para Costa do Marfim num dos últimos aviões que faz um trajecto para o Andulo em Julho de 1999.
Voltamos a nos encontrar apenas no Huambo em 2006 quando, Rui geria o restaurante Jango Central sito na rua da antiga TPA local e frequentamos muito aquele espaço que testemunhou muitas conversas nossas. Lembro-me ainda que, este espaço albergou o jantar de gala que marcou o encerramento da Reunião da Comissão Política do Partido de Novembro de 2011 que teve lugar no Huambo.
Durante este tempo fomos trocando conversa sempre que possível falamos de muita coisa e foi onde, em 2019 antes do XIII Congresso anulado Rui confidenciara-me que acabava de divorciar e conseguiu passar uma unidade hoteleira em Portugal e outra na Guiné Bissau em nome dos filhos.
Estive com o Rui pela última vez no Uíge, nos festejos do dia 13 de Março de 2021 onde, depois de tida hecatombe aconselhamo-lo a não se dirigir a imprensa porque não era o caminho viável porque, roupa suja, lava-se em casa mas, não conseguimos convencê-lo. No dia 23 de Setembro de 2021, Rui liga-me e diz assim:
“Mano Djeff, se calhar, era bom que tivesse acatado o seu conselho de não me dirigir a imprensa, depois dos acontecimentos do Uíge e devo confessar que, não foi bom ter feito aquilo”.
Calmamente respondi assim:
“Mano Rui, és membro do Partido e não és alheio as instituições do mesmo pelo que, seria bom que contactasses o Conselho Jurídico por escrito e ter o seguimento deste assunto com base aos Estatutos e Regulamento do Partido”.
Lá o tempo foi passando para este ano no dia 13 de Abril mandar a seguinte mensagem no WhatssApp:
“Mano está tudo bem contigo? Olha, preciso me encontrar pessoalmente contigo mas, só depois de regressar de Portugal porque, tenho andado adoentado! Tenho de ser operado à vesícula biliar”.
Não respondi e esta foi a nossa última correspondência…