SALAS NETO NO PARLAMENTO EM OUTUBRO!

SALAS NETO NO PARLAMENTO EM OUTUBRO!

11. Maio 2022 0 Por Araújo
Não sei ainda por que partido ou coligação é que me farei eleger, mas o certo é que o povo finalmente poderá vir a contar comigo no Parlamento em Outubro, como o primeiro deputado cego do país, no quadro da inclusão política, já em bom andamento um pouco pelo mundo. Na verdade, não será um caso único, pois, até em países de pretos, como Moçambique, isso já vem ocorrendo. Ao que ouvi, em Cabo-Verde já houve um ministro da Educação e em Portugal uma secretária de estado.
No entanto, o caso mais paradigmático que conheço é do inglês David Blunkett, em quem me inspiro, um cego à nascença que faz política ao mais alto nível, não obstante a limitação visual. Aos 75 anos (completa-os a 6 de Junho), ocupa agora um lugar na câmara dos lordes do parlamento britânico. Membro do partido trabalhista, começou a sua carreira como vereador, em 1969, aos 22 anos, em Shefield, sua terra natal, antes de chegar à câmara dos comuns, onde integraria o governo-sombra aos conservadores em meados dos anos 90 como ministro da Educação.
Curiosamente, este seria o seu cargo no governo de verdade que se seguiu em 1997 à primeira das três vitórias eleitorais consecutivas de Toni Blair. Ele seria ministro do Interior no segundo (2001 a 2004), do qual pediu demissão já no finalzinho do mandato, por ter facilitado a concessão dum visto para a babá filipina do filho duma amante que ele pensava ser seu.
Em Maio do ano seguinte, ganhando as eleições novamente, Blair conseguiu convencê-lo a voltar, atribuindo-lhe o cargo de ministro do Trabalho e Pensões, que viria a largar seis meses depois, devido a uma falha ética (não se desvinculou oficialmente da empresa de biotecnia para onde fora trabalhar quando se demitira pela primeira vez). Apesar da insistência do seu primeiro-ministro para que resistisse à pressão da oposição, David Blunkett decidiu mesmo largar o seu terceiro posto ministerial, segundo ele, para não prejudicar o seu chefe.
Tendo tido uma vida amorosa atribulada, apesar da cegueira, com destaque para o seu affair com a jornalista Kimberly Kuim, esposa do milionário americano Stephen Kuim, dono das revistas Vogue e Spectator, já inspirou uma série na televisão britânica.
Pois, como dizia, não sei ainda por que partido me farei eleger para o parlamento em Agosto.
Apesar de ser militante independente do MPLA há 54 anos, com participação activa na luta política pela emancipação dos angolanos, duvido que alguém se lembre de mim, numa altura em que, como disse o Salambende Mucari, estão quase a se comer por um lugar na lista de deputados que mais garantias dá. Aliás, depois que o presidente prometeu o nocaute, mesmo que te atirarem no 200º lugar, um gajo ainda pode esperar ser eleito, banga é banga, finalmente tipo chegaria a hora de pôr o cu num lexus, o que ainda não consegui fazer até hoje.
Como a UNITA até me deve, não cairia nem o carmo nem a trindade se me desse um lugar elegível na sua relação, pelo menos não a trairia, tipo os «independentes» Makuta e Mendes. Mas, em princípio, nem pensar nisso. Está fora de hipótese.
Era capaz de ponderar se o meu amigo Manuel Fernandes me enviasse um convite, mas certo mesmo é que não hesitarei quando o também meu amigo Quintino Moreira se chegar a mim para oferecer-me o segundo lugar da lista. Está falado!
Na FNLA, nem em terceiro lugar um gajo está seguro, pior no meio daquela confusão toda que lhe é característica.
Já no Bloco Democrático será mais pacífico, mas aí, se cair algum, será para o presidente, logicamente. Na pior das hipóteses, estou a torcer para que o Mfuca Muzenba consiga a qualificação a tempo, sendo certo que não ficaria para cima do terceiro lugar, estimando-se que, com a minha influência, o partido chegaria aos cinco deputados.
Contudo, se não for desta, voltarei em 2027, já para ganhar mesmo as eleições com D. Belmiro Chissengueti para Presidente da República. Custe o que custar!