A ALTERNÂNCIA QUE NÓS QUEREMOS!

A ALTERNÂNCIA QUE NÓS QUEREMOS!

12. Maio 2022 0 Por Araújo
Após 47 anos de poder do MPLA, com o selo da UNITA e de ACJ, em Agosto de 2022, Angola espera vivenciar a sua primeira alternância de poder.
Como nota marcante dessa alternância de poder, teremos um governo inclusivo e participativo (GIP) animado pela Frente Patriótica Unida (FPU) que, para além da UNITA, integra o Projecto Político PRA-JA Servir Angola, o Bloco Democrático e vários membros da sociedade civil. A FPU é a garantia inequívoca de que se está num projecto nacional bastante sério.
A alternância que queremos é aquela que dará mais democracia ao nosso país, que hoje vive um regime impregnado de várias distorções. A alternância que queremos fará nascer mais democratas no nosso País. E com mais democratas, teremos mais democracia.
A alternância que queremos facilitará a adopção da democracia como uma forma de vida na rotina dos angolanos. É preciso que, para além da política, as regras democráticas sejam aplicadas noutras áreas da nossa sociedade, como no associativismo estudantil, na gestão das Universidades, no desempenho dos Sindicatos, nos Clubs desportivos, etc. Essa prática vivenciada regularmente na sociedade civil forçará o poder a melhor gerir a coisa pública.
A alternância que queremos é aquela que tratará a oposição como uma peça fundamental do regime político. O poder não pode continuar a pensar que é um favor seu a oposição existir. O fenómeno da oposição terá de ser o coração da democracia. Se as pessoas não estiverem satisfeitas com a Educação que tiverem, com a Saúde que faltar, com os transportes que não os satisfaçam… como não provocar uma outra alternância de poder?
Com o tempo, esperamos que com a nova prática do poder, as pessoas venham a entender melhor a autocracia em que hoje vivemos.
A alternância que queremos terá de garantir a continuidade dos empregos daqueles que hoje estão na Função Pública: Professores, Médicos, Funcionários públicos, militares, polícias, agentes da segurança, etc. Esses funcionários deverão continuar a ser tratados como cidadãos possuidores de direitos, liberdades e garantias. Os professores não terão de se sentir obrigados a assistir os comícios do partido no poder. Os médicos não deverão ser obrigados a participar numa marcha dos chamados “médicos do bem” onde até a Ordem dos Médicos é capturada para servir propósitos claramente partidários.
Na alternância que defendemos, os Sindicatos e outras Associações terão de funcionar como parceiros de facto do governo e este terá de ter a coragem de estar em negociação permanente com os Sindicatos.
A alternância que queremos é aquela que não se esgote apenas numa alternância. Ela terá de ser repetida vezes sem conta. É que, onde não há alternância de poder é porque a prática democrática vigente é imperfeita. O processo democrático consolida-se através da alternância de poder. Acontecendo isso, é porque estaremos a deixar a vigente democracia formal para atingimos a democracia real.
A alternância de poder que queremos é aquela que deve reforçar os valores republicanos. Porque essa alternância permitirá a constante renovação da classe política e assim nos afastaremos cada vez mais do regime aristocrático de hoje.
Quem é que não espera por essa alternância?